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Theodoros Kolokotronis
Dionysios Tsokos · Public domain · Wikimedia Commons

B1Grécia moderna · General de 1821

Theodoros Kolokotronis

Θεόδωρος Κολοκοτρώνης

1770 – 1843 · Peloponeso; Náuplia; Atenas

Theodoros Kolokotronis (Θεόδωρος Κολοκοτρώνης, 1770–1843), o Γέρος του Μοριά (o Velho da Moreia), foi o chefe militar da guerra da independência grega no Peloponeso. Clefta de uma família de combatentes das montanhas, tomou Tripolitsa em 1821 e destruiu um exército otomano em Dervenakia em 1822, foi preso e condenado à morte pelo seu próprio lado, e ditou umas memórias que estão entre os livros mais vivos do grego moderno. A sua estátua equestre ergue-se no centro de Atenas.

A vida

Kolokotronis nasceu a 3 de abril de 1770 em Ramovouni, na Messénia, no sudoeste do Peloponeso, numa família de cleftas, os foras da lei armados das montanhas otomanas, que tinham combatido nesse mesmo ano na fracassada revolta de Orlov. O pai, Konstantinos, foi morto pelas forças otomanas em 1780, quando o rapaz tinha dez anos; cresceu de espingarda na mão e, passados os vinte anos, era ele próprio capitão de cleftas. Em 1806 os otomanos perseguiram os cleftas do Peloponeso e ele fugiu para Zante, nas ilhas Jónicas, onde serviu como oficial num regimento grego do exército britânico e aprendeu alguma coisa da guerra regular. Foi aí que, em 1818, entrou para a Filikí Etería, a sociedade secreta que preparava a revolução.

Em janeiro de 1821 desembarcou na Mani e, quando a revolta rebentou em março, tornou-se o chefe dos irregulares do Peloponeso. Depois das vitórias de 1821–22 foi nomeado comandante-chefe, mas as guerras civis de 1824 puseram-no contra o governo e, em 1825, foi encerrado num mosteiro em Hidra, sendo libertado apenas porque o exército egípcio de Ibrahim Paxá tinha invadido o Peloponeso. Apoiou Capodistrias e, após o assassinato do governador, opôs-se à regência bávara do jovem rei Otão; em 1834 foi julgado por traição e condenado à morte. Dois dos juízes, Polyzoidis e Tertsetis, recusaram-se a assinar o veredicto. Otão indultou-o em 1835 e fê-lo general e conselheiro de Estado. Morreu em Atenas a 4 de fevereiro de 1843, depois de regressar a casa de um baile no palácio.

A obra

Kolokotronis ganhou a guerra da independência em terra nos seus dois primeiros anos. Em Valtetsi, em maio de 1821, os seus homens repeliram a guarnição otomana de Tripolitsa e, a 23 de setembro de 1821, a própria cidade, capital otomana do Peloponeso, caiu nas mãos dos gregos, seguindo-se um massacre que ele não pôde ou não quis impedir. No verão seguinte, um exército otomano de cerca de 25 000 homens sob o comando de Dramali Paxá marchou sobre o Peloponeso para esmagar a revolta; Kolokotronis deixou-o avançar, queimou atrás dele a planície de Argos e, quando tentou retirar-se pelos desfiladeiros de Dervenakia, de 26 a 28 de julho de 1822, destruiu-o. O Peloponeso não voltou a estar seriamente ameaçado até à chegada de Ibrahim em 1825. Contra as disciplinadas tropas egípcias de Ibrahim travou uma guerra de guerrilha e respondeu aos gregos que se submetiam ao invasor com o seu famoso «φωτιά και τσεκούρι στους προσκυνημένους» (fogo e machado aos que se vergaram).

As suas outras armas foram as palavras. Em 1836 ditou as suas memórias a Georgios Tertsetis, o juiz que se tinha recusado a condená-lo; publicadas em 1846 com o título Διήγησις συμβάντων της ελληνικής φυλής (Narrativa dos acontecimentos da raça grega), são a voz de um génio sem instrução, franco, divertido e astuto, e o melhor relato de 1821 visto por dentro. A 8 de outubro de 1838 falou aos alunos do liceu de Atenas na Pnyx, a colina onde se reunia a antiga assembleia, contando-lhes como a revolução tinha começado sem soldados, dinheiro nem armas, e exortando-os a estudar, a manterem-se unidos e a amar a pátria. O discurso, impresso num jornal um mês depois, ainda hoje é lido nas escolas gregas.

O legado na Grécia de hoje

Todos os gregos conhecem o seu rosto: a estátua equestre em bronze de Lazaros Sochos (1904) diante do Antigo Parlamento, na rua Stadiou, em Atenas, com uma cópia na praça principal de Náuplia, e o famoso capacete dos seus anos ao serviço britânico, guardado no Museu Histórico Nacional, no edifício do Antigo Parlamento. Figurou na nota de 5000 dracmas até à chegada do euro. Ruas chamadas Κολοκοτρώνη atravessam quase todas as cidades, e o seu discurso da Pnyx, que abre com «Εις τον τόπο τούτο, οπού εγώ πατώ σήμερα», está nas antologias escolares ao lado de excertos das memórias, que um aprendente pode ler no original na Wikisource grega. A 25 de março, Dia da Independência, as crianças das escolas ainda se mascaram de Kolokotronis, com o capacete e a branca φουστανέλα. A alcunha Γέρος του Μοριά não precisa de explicação para ninguém na Grécia.

Sabia que…?

  • Foi condenado à morte por um tribunal grego em 1834, treze anos depois de tomar Tripolitsa; os dois juízes que se recusaram a assinar a sentença tornaram-se eles próprios heróis nacionais.
  • Mal sabia escrever; as suas memórias foram ditadas em 1836 a Georgios Tertsetis, um desses dois juízes.
  • O seu famoso capacete não é nada grego: vem da farda do regimento grego em que serviu sob os britânicos nas ilhas Jónicas.
  • Morreu na noite em que voltou para casa de um baile no palácio do rei Otão, em fevereiro de 1843.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
Μάχη του ΒαλτετσίουBatalha de Valtetsi1821
Άλωση της ΤριπολιτσάςTomada de Tripolitsa1821
Μάχη στα ΔερβενάκιαBatalha de Dervenakia1822
Αντίσταση στον ΙμπραήμResistência de guerrilha a Ibrahim Paxá1825–1827
Λόγος στην ΠνύκαDiscurso na Pnyx aos estudantes de Atenas1838
Διήγησις συμβάντων της ελληνικής φυλήςNarrativa dos acontecimentos da raça grega (memórias, ditadas em 1836)1846

Uma frase para reter

Εις τον τόπο τούτο, οπού εγώ πατώ σήμερα, επατούσαν και εδημηγορούσαν τον παλαιό καιρό άνδρες σοφοί…

Eis ton topo touto, opou ego pato simera, epatousan kai edimigorousan ton palaio kairo andres sofoi…

Neste lugar onde hoje me encontro, nos tempos antigos homens sábios estavam de pé e falavam ao povo…

Speech on the Pnyx, 8 October 1838 (opening words)

No texto original

O texto tal como Theodoros Kolokotronis o escreveu, em domínio público, com a nossa própria tradução ao lado.

«Λόγος στην Πνύκα»Discurso na Pnyx

O início do discurso que o velho general proferiu na colina da Pnyx, em Atenas, a 8 de outubro de 1838, perante os alunos do liceu da cidade. Conta-lhes em seguida a história da Guerra da Independência e previne-os contra a discórdia.

Παιδιά μου!Meus filhos!
Εις τον τόπο τούτο, οπού εγώ πατώ σήμερα, επατούσαν και εδημηγορούσαν τον παλαιό καιρό άνδρες σοφοί, και άνδρες με τους οποίους δεν είμαι άξιος να συγκριθώ και ούτε να φθάσω τα ίχνη των. Εγώ επιθυμούσα να σας ιδώ, παιδιά μου, εις την μεγάλη δόξα των προπατόρων μας, και έρχομαι να σας ειπώ, όσα εις τον καιρό του αγώνος και προ αυτού και ύστερα απ' αυτόν ο ίδιος επαρατήρησα, και απ' αυτά να κάμωμε συμπερασμούς και δια την μέλλουσαν ευτυχίαν σας, μολονότι ο Θεός μόνος ηξεύρει τα μέλλοντα. Και δια τους παλαιούς Έλληνας, οποίας γνώσεις είχαν και ποία δόξα και τιμήν έχαιραν κοντά εις τα άλλα έθνη του καιρού των, οποίους ήρωας, στρατηγούς, πολιτικούς είχαν, δια ταύτα σας λέγουν καθ' ημέραν οι διδάσκαλοί σας και οι πεπαιδευμένοι μας. Εγώ δεν είμαι αρκετός. Σας λέγω μόνον πως ήταν σοφοί, και από εδώ επήραν και εδανείσθησαν τα άλλα έθνη την σοφίαν των.Neste lugar que hoje piso, pisavam e falavam ao povo, nos tempos antigos, homens sábios, homens com os quais não sou digno de ser comparado, nem sequer de seguir as suas pegadas. Eu desejava ver-vos, meus filhos, na grande glória dos nossos antepassados, e venho dizer-vos o que eu próprio observei no tempo da luta, antes dela e depois dela, para que daí tiremos conclusões também para a vossa felicidade futura, embora só Deus conheça o que há de vir. Quanto aos antigos gregos, que conhecimentos tinham e de que glória e honra gozavam junto das outras nações do seu tempo, que heróis, generais e homens de Estado tiveram, isso dizem-vos todos os dias os vossos professores e os nossos homens instruídos. Eu não sou capaz disso. Digo-vos apenas que eram sábios, e que foi daqui que as outras nações tomaram e pediram de empréstimo a sua sabedoria.

Speech to the pupils of the Athens gymnasium on the Pnyx, 8 October 1838, opening · Texto em domínio público, fonte: el.wikisource.org

B1

Ler sobre Theodoros Kolokotronis em grego (B1)

Palavras do texto

  • família
  • montanha
  • guerra
  • guio, conduzo
  • exército
  • prisão
  • pátria
  • estátua

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