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Angelos Sikelianos
Public domain · Wikimedia Commons

B2Grécia moderna · Poeta

Angelos Sikelianos

Άγγελος Σικελιανός

1884 – 1951 · Lêucade; Delfos; Atenas

Angelos Sikelianos (Άγγελος Σικελιανός, 1884–1951), natural da ilha de Lêucade, foi o poeta grego mais lírico e mais ambicioso da sua geração. O seu primeiro poema longo, Αλαφροΐσκιωτος (O Iluminado pelas Sombras, 1909), anunciou uma voz nova; com a mulher americana, Eva Palmer, organizou os Festivais Délficos de 1927 e 1930, fazendo reviver o drama antigo em Delfos; e em 1943, no funeral de Kostis Palamas, o seu poema «Ηχήστε οι σάλπιγγες» tornou-se um grito de resistência sob a ocupação alemã.

A vida

Sikelianos nasceu a 28 de março de 1884 em Lêucade, a ilha jónica cujas colinas, cujo mar e cujas festas campestres enchem a sua primeira poesia. Foi para Atenas em 1900 estudar Direito, mas nunca terminou o curso; a poesia e as viagens foram a sua verdadeira educação. A irmã, Penélope, casou com Raymond Duncan, irmão da bailarina Isadora Duncan, e foi nesse círculo que Angelos conheceu Eva Palmer, uma americana de Nova Iorque, rica e brilhante. Casaram em 1907 em Bar Harbor, no Maine, e instalaram-se na Grécia; o filho, Glafkos, nasceu em 1909.

Nos anos 1920 o casal dedicou-se ao que Sikelianos chamava a Ideia Délfica: a convicção de que Delfos podia voltar a ser um centro espiritual para o mundo. Em maio de 1927 e de novo em 1930 organizaram os Festivais Délficos no estádio e no teatro antigos, com Prometeu Agrilhoado e As Suplicantes de Ésquilo representados com figurinos tecidos à mão por Eva, competições atléticas e uma exposição de arte popular. Os festivais foram um triunfo e uma catástrofe financeira; Eva regressou à América em 1933 para angariar dinheiro e nunca mais voltou a viver com ele. Morreu em 1952 e está sepultada em Delfos. Em 1940 Sikelianos casou com Anna Karamani.

Durante a ocupação alemã ficou em Atenas, escreveu tragédias e, a 28 de fevereiro de 1943, transformou o funeral de Palamas numa manifestação com o seu poema e o seu grito «Σ' αυτό το φέρετρο ακουμπά η Ελλάδα!» (Sobre este caixão repousa a Grécia!). Foi nomeado várias vezes para o Prémio Nobel no final dos anos 1940. Morreu em Atenas a 19 de junho de 1951, depois de lhe terem dado por engano um desinfetante em vez do medicamento.

A obra

Αλαφροΐσκιωτος (O Iluminado pelas Sombras, escrito em 1907, publicado em 1909) é um longo hino de um jovem à terra, ao mar e ao sol da Grécia, num verso livre ondulante que não se parece com nada do que existia antes em grego; o título é uma palavra dialetal para quem tem visões. Πρόλογος στη ζωή (Prólogo à Vida, 1915–1917) é um ciclo de cinco grandes odes sobre a consciência da terra, da raça, da mulher, da fé e da criação pessoal. Μήτηρ Θεού (Mãe de Deus, 1917–1919), escrito após a morte da irmã Penélope, é um lamento que funde a Virgem Maria com Deméter e Perséfone; para ele, o cristão e o grego antigo formam sempre um só mundo.

Escreveu longos ciclos, Πάσχα των Ελλήνων (Páscoa dos Gregos) e Δελφικός Λόγος (Discurso Délfico, 1927), e líricas breves que são os seus poemas mais lidos: Στ' Όσιου Λουκά το μοναστήρι (No Mosteiro de Hosios Loukas), onde as mulheres da aldeia cantam o lamento pascal, e Γιατί βαθιά μου δόξασα (Porque Louvei Profundamente). A partir de 1932 voltou-se para a tragédia: Ο Διθύραμβος του Ρόδου (O Ditirambo da Rosa), Σίβυλλα (Sibila, 1940), Ο Δαίδαλος στην Κρήτη (Dédalo em Creta, 1943), Ο Χριστός στη Ρώμη (Cristo em Roma, 1946) e Ο θάνατος του Διγενή (A Morte de Digenis, 1947), peças escritas para um teatro que mal existia.

Os seus poemas reunidos foram publicados como Λυρικός Βίος (Vida Lírica). O registo é elevado, profético, cheio de natureza e de ritual; o vocabulário vai buscar ao mesmo tempo ao dialeto, aos hinos bizantinos e ao mito antigo. É o poeta grego para quem o sagrado nunca morreu, apenas mudou de nome.

O legado na Grécia de hoje

Ouça Πνευματικό εμβατήριο (Marcha Espiritual), o seu poema de 1945 musicado por Mikis Theodorakis, com o apelo «Εμπρός, βοηθάτε να σηκώσουμε τον ήλιο πάνω απ' την Ελλάδα» (Avante, ajudem-nos a erguer o sol sobre a Grécia), cantado durante décadas em concertos e comícios. Στ' Όσιου Λουκά το μοναστήρι e Γιατί βαθιά μου δόξασα estão nas antologias escolares e são lidos muitas vezes na Páscoa. Em Delfos, a casa que Eva e Angelos construíram na encosta é hoje o Museu dos Festivais Délficos, com os figurinos dela e fotografias das representações de 1927; os Festivais Délficos são também os antepassados dos atuais festivais de verão de teatro antigo. Lêucade homenageia-o com o seu nome em ruas e num centro cultural, e a sua campa está no Primeiro Cemitério de Atenas, perto da de Palamas.

Sabia que…?

  • Conheceu a mulher através dos Duncan: a irmã Penélope era casada com Raymond Duncan, e Eva Palmer era amiga íntima de Isadora.
  • O Festival Délfico de 1927 levou à cena Prometeu Agrilhoado no teatro antigo de Delfos, com figurinos que Eva tecera à mão num tear de estilo antigo.
  • O título Αλαφροΐσκιωτος é uma palavra popular para uma pessoa «de sombra leve», ou seja, capaz de ver espíritos e visões.
  • No funeral de Palamas, em 1943, recitou o seu poema sobre o caixão, e a multidão cantou depois o hino nacional diante dos soldados ocupantes.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
ΑλαφροΐσκιωτοςO Iluminado pelas Sombras1909
Πρόλογος στη ζωήPrólogo à Vida1915–1917
Μήτηρ ΘεούMãe de Deus1917–1919
Δελφικός ΛόγοςDiscurso Délfico1927
ΣίβυλλαSibila1940
Ο Χριστός στη ΡώμηCristo em Roma1946

Uma frase para reter

Ηχήστε οι σάλπιγγες… Καμπάνες βροντερές, / δονήστε σύγκορμη τη χώρα, πέρα ως πέρα…

Ichiste oi salpinges… Kampanes vronteres, / doniste sygkormi ti chora, pera os pera…

Soai, trombetas… Sinos trovejantes, / fazei estremecer o país inteiro, de ponta a ponta…

Παλαμάς (1943), read at the funeral of Kostis Palamas

No texto original

O texto tal como Angelos Sikelianos o escreveu, em domínio público, com a nossa própria tradução ao lado.

«Η φωνή»A voz

Um poema completo do primeiro livro de Sikelianós, Alafroískiotos, cujo título explica: uma voz vinda do céu pergunta quem é o vidente «de sombra leve», aquele que vê o que os outros não veem, e o jovem poeta toma o chamamento como seu.

Και νά, σκοτάδι μοκλεισε τα βλέφαραE eis que uma escuridão me fechou as pálpebras,
πυκνό, βαθύ. Σαν ο ήλιος να 'σβησεν,espessa, funda. Como se o sol se tivesse apagado,
ο κάμπος, το βουνό, το ακροθαλάσσιa planície, a montanha, a beira-mar
σαν ίσκιος στην ψυχή μου υψώθηκαν,ergueram-se como uma sombra na minha alma,
σαν κυπαρίσσι λύγισεcurvaram-se como um cipreste,
και βούιξεν όλ΄ η πλάση.e toda a criação ribombou.
Στερνά σημάδια, χάθηκαν στα μάτια μουÚltimos sinais, sumiram-se dos meus olhos
οι πέντε αϊτοί στα αιθέρια,as cinco águias no éter,
στερνά σημάδια μέσα μου, που αστράψανεúltimos sinais dentro de mim, que cintilaram
μαζίjuntos
και σβήσανε όλα σαν αστέρια.e se apagaram todos como estrelas.
Και μια φωνή αργοκύλησενE uma voz rolou devagar
ωσά βροντή στα τρίσβαθα του αγέρα,como um trovão no mais fundo do ar,
και μού ήταν γνώριμη η φωνήe era-me conhecida aquela voz,
σα να 'βγαινε από τα σπλάχνα μουcomo se saísse das minhas entranhas
κι απ' όλο τον αιθέρα:e do éter inteiro:
«Ποιος είν' ο αλαφροΐσκιωτος,«Quem é o vidente de sombra leve
που το βαθύ μυστήριο θε να δράξειque há de agarrar o fundo mistério
και θα σαρκώσει ανάλαφροςe, leve, dará carne
το τάμα που πλανιέται τρίσβαθαao voto que vagueia no mais fundo
κι απάνω από την πράξη;»e acima do ato?»
Και σίγησε, σα να 'κλεισεE calou-se, como se o ar
κάθε φτερόν ο αγέρας.tivesse dobrado cada uma das asas.
Μόλυε ένας βυθός τους αρμούς,Uma fundura soltava-me as articulações,
βαθιά τη σκέψη μού έδενεatava-me fundo o pensamento,
δουλεύοντας τη σάρκα μουtrabalhando a minha carne,
ο ακοίμητος αιθέρας.o éter sem sono.

«Η φωνή», from the collection «Αλαφροΐσκιωτος», complete · Texto em domínio público, fonte: el.wikisource.org

B2

Ler sobre Angelos Sikelianos em grego (B2)

Palavras do texto

  • admiro
  • hino
  • espiritual
  • traje, figurino
  • fortuna, bens
  • caixão
  • multidão
  • ocupante, conquistador

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