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Rigas Feraios
Andreas Kriezis · Public domain · Wikimedia Commons

C2Grécia moderna · Escritor revolucionário e poeta

Rigas Feraios

Ρήγας Βελεστινλής

c. 1757 – 1798 · Velestino, Tessália; Bucareste; Viena; Belgrado

Rigas Feraios, ou Rigas Velestinlis (Ρήγας Βελεστινλής, c. 1757–1798), foi o primeiro a verter para grego as ideias da Revolução Francesa. Em Viena, em 1797, imprimiu um mapa gigante do mundo grego, uma constituição republicana para os povos dos Balcãs e o hino de guerra Θούριος (Thourios), com o verso que todos os gregos conhecem: antes uma hora de vida livre do que quarenta anos de escravidão. Estrangulado em Belgrado em junho de 1798, tornou-se o primeiro mártir de 1821.

A vida

Rigas nasceu por volta de 1757 em Velestino, uma aldeia da Tessália situada no local da antiga Feras, numa família abastada. Assinava sempre Ρήγας Βελεστινλής Θετταλός, Rigas de Velestino, o Tessálio; o apelido erudito Feraios, «de Feras», foi-lhe dado por estudiosos posteriores. Recebeu uma boa educação nas escolas do Pélion e, ainda jovem, deixou a Tessália otomana rumo a Constantinopla, onde entrou ao serviço das famílias gregas fanariotas que governavam os principados do Danúbio.

Essa ligação levou-o a Bucareste. Ali trabalhou como secretário na casa de Nikolaos Mavrogenis, príncipe da Valáquia, e absorveu os livros e as ideias francesas que circulavam entre a elite grega e romena. Em 1790 viajou a Viena e imprimiu os seus dois primeiros livros. Regressou à Valáquia e, em 1796, voltou a Viena com um plano muito mais ambicioso: imprimir, na tipografia dos irmãos Markides Pouliou, os mapas, as traduções e os textos revolucionários que preparariam uma revolta de todos os povos submetidos do Império Otomano.

Em dezembro de 1797 partiu de Viena para Trieste, a caminho da Grécia, levando caixas de folhas impressas. Um comerciante grego denunciou-o à polícia austríaca e foi preso à chegada. A Áustria, aliada do Sultão, entregou Rigas e sete companheiros aos otomanos como súbditos otomanos. Foram levados pelo Danúbio até Belgrado, encarcerados na torre Nebojša e ali estrangulados numa noite de junho de 1798; os seus corpos foram lançados ao rio.

A obra

Os seus primeiros livros, ambos impressos em Viena em 1790, mostram as duas faces do seu espírito. Σχολείον των ντελικάτων εραστών (Escola dos Amantes Delicados) é uma versão grega livre de contos sentimentais franceses de Rétif de la Bretonne, uma das primeiras obras de ficção em prosa grega moderna. Φυσικής απάνθισμα (Antologia de Física) é um manual de divulgação científica cujo prefácio traz o seu lema: «Όποιος ελεύθερα συλλογάται, συλλογάται καλά», quem pensa livremente, pensa bem.

As impressões vienenses de 1796–97 são o seu monumento. A Χάρτα της Ελλάδος (Mapa da Grécia) é um mapa de parede em doze folhas, com mais de dois metros de lado, que mostra os Balcãs e a Ásia Menor com os topónimos antigos e modernos lado a lado, plantas de cidades e desenhos de moedas antigas: um argumento visual de que o mundo grego era um único país à espera de existir. A Νέα Πολιτική Διοίκησις (Nova Constituição Política) segue o modelo da constituição francesa de 1793 e da Declaração dos Direitos do Homem; proclama uma República Helénica em que gregos, búlgaros, albaneses, valáquios, arménios e turcos seriam cidadãos iguais, independentemente da língua ou da religião.

Com ela foi impresso o Θούριος (Thourios, 1797), um hino de guerra de 126 versos no metro da canção popular. Abre com «Ως πότε, παλικάρια, να ζούμε στα στενά» (até quando, valentes, havemos de viver nas estreitezas), chama cristãos e muçulmanos a levantarem-se juntos e contém o verso sobre uma hora de liberdade. Nos mesmos anos publicou também o Ηθικός Τρίπους (Trípode Moral), traduções de Metastasio e Marmontel.

O legado na Grécia de hoje

Rigas é o precursor de 1821 em todos os manuais escolares gregos, e o Θούριος é o primeiro poema da história grega moderna que os alunos aprendem; ouça a versão que Nikos Xylouris gravou nos anos 1970 para o sentir como canção. A sua estátua de bronze, de Ioannis Kossos, ergue-se diante da Universidade de Atenas desde 1871, e a sua efígie figurou na nota de 200 dracmas nos anos 1990. Quase todas as cidades gregas têm uma rua chamada Ρήγα Φεραίου, e o município em redor de Velestino chama-se Δήμος Ρήγα Φεραίου. Em Belgrado, a torre Nebojša, junto ao Danúbio, onde foi morto, é hoje um museu com um memorial em sua honra, e uma rua próxima tem o seu nome. O verso «Καλύτερα μιας ώρας ελεύθερη ζωή» continua a ser citado em manifestações e a 25 de março, e as suas alegadas últimas palavras, de que semeara uma semente que a sua nação um dia colheria, estão gravadas em monumentos.

Sabia que…?

  • Nunca usou o nome Feraios; foi cunhado mais tarde a partir da antiga Feras, local da sua Velestino natal, e ele assinava Rigas Velestinlis.
  • A Χάρτα της Ελλάδος de 1797 é um dos maiores mapas alguma vez impressos em grego: doze folhas que formam uma parede com mais de dois metros de altura.
  • A sua constituição de 1797 dava o voto a todos os cidadãos da república projetada, cristãos ou muçulmanos, e prometia escola tanto para as raparigas como para os rapazes.
  • A Áustria não o julgou pelas suas ideias: limitou-se a entregá-lo aos otomanos como súbdito estrangeiro, e os homens do Sultão estrangularam-no, com sete companheiros, em Belgrado, em junho de 1798.

Obras principais

Título gregoTítuloAno
Σχολείον των ντελικάτων εραστώνEscola dos Amantes Delicados1790
Φυσικής απάνθισμαAntologia de Física1790
Χάρτα της ΕλλάδοςMapa da Grécia1797
Νέα Πολιτική ΔιοίκησιςNova Constituição Política1797
ΘούριοςThourios (Hino de Guerra)1797
Ηθικός ΤρίπουςTrípode Moral1797

Uma frase para reter

Καλύτερα μιας ώρας ελεύθερη ζωή, / παρά σαράντα χρόνια σκλαβιά και φυλακή.

Kalytera mias oras eleftheri zoi, / para saranta chronia sklavia kai fylaki.

Antes uma hora de vida livre / do que quarenta anos de escravidão e prisão.

Θούριος (1797)

No texto original

O texto tal como Rigas Feraios o escreveu, em domínio público, com a nossa própria tradução ao lado.

«Θούριος»Thúrios (Canto de guerra)

O início do canto de guerra revolucionário de Rigas, escrito para ser cantado pelos povos dos Balcãs contra o domínio otomano. O dístico sobre uma hora de vida livre é o seu coração e tornou-se provérbio.

Ὡς πότε παλικάρια νὰ ζοῦμεν στὰ στενά,Até quando, rapazes, viveremos nos desfiladeiros,
Μονάχοι σὰ λιοντάρια, σταὶς ράχαις στὰ βουνά;sozinhos como leões, nas cumeadas, nas montanhas?
Σπηλιαὶς νὰ κατοικοῦμεν, νὰ βλέπωμεν κλαδιά,Morar em grutas, sem ver mais do que ramos,
Νὰ φεύγωμ΄ ἀπ΄ τὸν Κόσμον, γιὰ τὴν πικρὴ σκλαβιά.fugir do mundo por causa da amarga escravidão?
Νὰ χάνωμεν ἀδέλφια, Πατρίδα, καὶ Γονεῖς,Perder os irmãos, a pátria e os pais,
Τοὺς φίλους, τὰ παιδιά μας, κι΄ ὅλους τοὺς συγγενεῖς.os amigos, os nossos filhos e todos os nossos parentes?
Καλλιῶναι μίας ὥρας ἐλεύθερη ζωή,Mais vale uma hora de vida livre
Παρὰ σαράντα χρόνοι σκλαβιά, καὶ φυλακή.do que quarenta anos de escravidão e de prisão.
Τί σ΄ ὠφελεῖ ἂν ζήσης, καὶ εἶσαι στὴ σκλαβιά,De que te serve viver, se vives na escravidão?
Στοχάσου πὼς σὲ ψένουν καθ΄ ὤραν στὴ φωτιά.Pensa que te assam a toda a hora no fogo.
Βεζύρης, Δραγουμάνος, Ἀφέντης κι΄ ἂν σταθῆς,Vizir, dragomano ou senhor, seja o que fores,
Ὁ Τύραννος ἀδίκως, σὲ κάμει νὰ χαθῆς.o Tirano, injustamente, há de fazer-te perecer.
Δουλεύεις ὂλ΄ ἡμέρα, σὲ ὅ,τι κι΄ ἂν σοὶ πῆ,Trabalhas o dia inteiro no que ele te mandar,
Κι΄ αὐτὸς πασχίζει πάλιν, τὸ αἷμα σου νὰ πιῆ.e ele ainda se esforça mais por te beber o sangue.

Θούριος, lines 1–14, the opening (1797) · Texto em domínio público, fonte: el.wikisource.org

C2

Ler sobre Rigas Feraios em grego (C2)

Palavras do texto

  • próspero, abastado
  • príncipe, governante
  • máxima, princípio
  • tipografia
  • ambicioso
  • traição
  • estátua
  • recito

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